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terça-feira, 8 de março de 2016

Cenário político faz dólar cair 1,44% e descer a seu menor nível desde 9 de dezembro

Avanço das investigações da Operação Lava Jato e atuação do BC no mercado de câmbio puxam queda expressiva da moeda americana, que fecha a R$ 3,73

08/03/2016 às 17:55 - Atualizado em 08/03/2016 às 18:21


Durante a sessão, moeda americana chegou a ser negociada por 3,80 reais(Marcello Casal Jr/Agência Brasil)


O dólar fechou em queda de quase 1,5% nesta terça-feira, indo abaixo de 3,74 reais depois de três meses, influenciado por expectativas com a cena política brasileira e pela atuação mais contundente do Banco Central. O recuo foi de 1,44%, a 3,73 reais, seu menor patamar desde 9 de dezembro. A moeda americana chegou a subir a 3,80 reais na máxima desta sessão, influenciada por números fracos sobre o comércio na China e pelo tombo dos preços do petróleo.

"Mudou um pouco o tom do mercado local desde a semana passada. Se antes todo o mercado estava muito pessimista, agora algumas pessoas estão vendo motivo para vender (dólares)", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.

O real foi a moeda com melhor desempenho na América Latina, mantendo a tendência da semana passada. O tom positivo, no geral, tem predominado no mercado doméstico conforme cresce a percepção de que os escândalos de corrupção no âmbito da Operação Lava Jato estariam elevando a chance de a presidente Dilma Rousseff não concluir seu mandato.

Segundo operadores, o mercado não está trabalhando com chances totais de impeachment. Isso significa que, no curto prazo, a volatilidade deve imperar, já que tanto notícias positivas quanto negativas para o governo têm espaço para gerar movimentos fortes nas cotações.

"O mercado vai ser completamente guiado pelo noticiário político, pode jogar fora o noticiário econômico. Ou seja, é completamente imprevisível", disse o sócio-gestor da Absolute Investimentos Roberto Campos.

A queda do dólar nesta sessão também veio em reação à atuação do BC, que anunciou para quarta-feira leilão de venda de até 2 bilhões de dólares em novos contratos com compromisso de recompra. Profissionais do mercado afirmaram que a operação tem objetivo de corrigir desequilíbrios entre os mercados futuro e à vista, e não mira patamares específicos para o câmbio.

É a segunda vez em três sessões em que o BC foge do script em suas atuações cambiais. Na sexta-feira, a autoridade monetária vendeu apenas parcialmente a oferta de swaps cambiais (modalidade de negociação de dólares no mercado futuro) em leilão para rolagem dos contratos que vencem em abril, algo que não acontecia havia muito tempo.

(Com Reuters)





Matéria retirada do site: 

Preços no comércio eletrônico caem em fevereiro, após cinco meses de alta


Publicado em terça-feira, 8 de março de 2016 às 17:26 Histórico

Preços no comércio eletrônico caem em fevereiro, após cinco meses de alta




Os preços de itens no comércio eletrônico voltaram a ter queda em fevereiro, após cinco meses sucessivos de elevação. Em fevereiro, os preços recuaram 0,38% na comparação com janeiro, de acordo com o índice Fipe/Buscapé.

Na comparação com fevereiro de 2015, porém, ainda houve elevação de preços, de 10,7%. É a décima primeira vez que os preços sofrem aumento na comparação anual. Essa sequência de altas é atípica no setor, que entre 2012 e o início de 2015 registrava reduções consecutivas nos preços, fruto da característica promocional e de competição intensa entre vendedores online.

O estudo considera que esta reversão de tendência reflete a aceleração da inflação geral e também o câmbio. Algumas categorias que têm peso significativo no e-commerce são influenciadas de forma defasada pela depreciação do real, diz o levantamento. É o caso de eletrônicos, informática, fotografia e telefonia.

Dos dez grupos de produtos que compõem o Índice Fipe/Buscapé, sete apresentaram queda de preço no mês de fevereiro, incluindo brinquedos e games, eletrônicos e moda e acessórios. Já entre as categorias coma alta de preços estão casa e decoração, fotografia e informática.





Matéria retirada do site:

Caixa anuncia lucro de R$ 7,2 bilhões e medidas para crédito imobiliário

Banco também vai voltar a financiar segundo imóvel
8 MAR 2016Por G114h:21




A Caixa Econômica Federal anunciou na manhã desta terça-feira (8) ter registrado lucro líquido de R$ 7,2 bilhões em 2015, valor 0,9% superior ao obtido no ano anterior. O banco também apresentou medidas de estímulo ao crédito imobiliário, com aumento da cota de financiamento de imóveis usados e reabertura do financiamento do segundo imóvel.

Segundo a presidente da Caixa, Miriam Belchior, o banco vai aumentar a cota de financiamento de imóveis usados, que deverá alavancar o mercado como um todo. De acordo com a Caixa Econômica, hoje é possível financiar até 50% do valor do imóvel usado – fatia que vai passar a 70%.

"A cota de financiamento de imóveis é um dos fatores que mais impactam a demanda. Quanto maior a cota, maior o número de interessados", afirmou.

O limite de financiamento para imóveis usados foi reduzido pela Caixa em maio de 2015, quando passou de 80% para 50%. Na ocasião, o banco justificou a medida afirmando que pretendia focar no crédito habitacional de moradias novas. 

A mudança vale apenas para imóveis usados financiados com recursos da poupança – ficam de fora da mudança o crédito para a habitação popular, como o programa Minha Casa Minha Vida, e os financiamentos com recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Nestas modalidades, o financiamento não havia sofrido restrições em 2015.

Pelas novas regras, os financiamentos com recursos da poupança (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) terão uma elevação do limite do valor total financiado de 50% para 70% do valor do imóvel no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e de 40% para 60% para imóveis no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), pelo Sistema de Amortização Constante (SAC).


SEGUNDO IMÓVEL
De acordo com Miriam Belchior, a Caixa também vai reabrir o financiamento imobiliário para o segundo imóvel. "Serão as mesmas condições de financiamento do primeiro imóvel. Ele (o tomador de crédito) poderá ter dois imóveis financiados ao mesmo tempo". A restrição estava em vigor desde 17 de agosto do ano passado.

"Com essas medidas, a Caixa vai elevar a quantidade de contratações neste ano em mais 64 mil unidades, 13% em relação ao total antes previsto", disse Miriam.


RESULTADOS
Segundo a Caixa, os principais destaques do resultado do ano passado foram as receitas originadas pelo relacionamento com clientes nas contas correntes e cestas de serviços, que cresceram 30,7%, pelos cartões de crédito em 12% e pelos convênios e cobrança em 10,1%.

A carteira de crédito avançou 11,9% em 12 meses e alcançou saldo de R$ 679,5 bilhões, representando 20,9% do mercado. O crédito habitacional continuou a ser o principal destaque do crédito, com evolução de 13% no ano e saldo de R$ 384,2 bilhões. O valor representa 67,2% do mercado do país.

“Em 2015 tivemos ano desafiador, com repercussões no nível de atividade e arrefecimento no nível de crédito, mas alcançamos um lucro maior do que o de 2014...Fizemos melhoria de processos e redução de desperdícios que resultaram em uma economia de R$ 2,8 bilhões durante o ano passado. Nossas despesas administrativas, por exemplo, cresceram menos que inflação”, citou a presidente da instituição, Mirian Belchior.

O banco ainda anunciou que, mesmo diante das adversidades, a carteira de crédito da Caixa cresceu 11,9% em 12 meses. O crédito habitacional avançou 13% no ano e saldo de R$ 384,2 bilhões.

A Caixa afirma ter injetado, em 12 meses, R$ 732,7 bilhões na economia brasileira por meio de “contratações de crédito, distribuição de benefícios sociais, investimento em infraestrutura própria, entre outros”.

Na avaliação da presidente, este ano traz grandes desafios, mas o banco vem se planejando para “potencializar a capacidade de negócios com mais eficiência e menos custos”.

Em 2015, a base de clientes da instituição somou 82,9 milhões de correntistas e poupadores em 2015, um aumento de quase 6% em 12 meses. A carteira de pessoas físicas atingiu 80,7 milhões, e a de pessoas jurídicas, 2,2 milhões.





Matéria retirada do site:

Anatel não melhora péssimos serviços da telefonia




As operadoras de telefone celular continuam sendo as campeãs nacionais de mal atendimento aos clientes


08/03/2016 - 14H59 - POR JOSÉ ROBERTO FERRO


(FOTO: RAFAEL NEDDERMEYER/FOTOS PÚBLICAS)

Como é possível que, após tanto progresso no aumento da acessibilidade, com a disseminação ampla dos telefones celularese a multiplicação de serviços úteis para os consumidores, as operadoras ainda tenham serviços tão irritantemente ineficazes?


 

(FOTO: DIVULGAÇÃO)


Os telefones celulares nos trazem muitos benefícios, para os quais pagamos. É surpreendente que, ainda hoje, toda vez que precisamos de algum tipo de serviço das operadoras, haja tanta insatisfação e, frequentemente, muita irritação com a baixa qualidade dos serviços.

Minha última experiência traumática foi a necessidade de trocar um simples chip. Troquei meu aparelho fora do país e, ao chegar, precisei de um novo chip.

Minha jornada de dificuldades e provações envolveu duas idas pessoais a uma loja, com promessas iniciais de espera de 15 minutos para a regularização do serviço. Depois, o prazo foi mudado para 24 horas. Isso após cinco telefonemas meus para a “central”, além de um para a gestora do sistema corporativo, com várias horas perdidas em conversas irritantes e muitas vezes desprovidas de lógica e sentido. Por exemplo, "o senhor precisa ir a uma loja", quando eu estava ligando da própria loja. Ou "seu serviço não está ativado", quando esse era o motivo de minha ligação etc.

Pude perceber outras tantas reações estúpidas, com minha solicitação frequentemente tratada como uma “batata quente”, sendo passada para outro atendente, tendo de recomeçar todo o processo. Também solicitações redundantes e irrelevantes por parte de atendentes mal preparados, falando um português muitas vezes pouco compreensível. Tratava-se, evidentemente, de processos internos “quebrados”, o que ficava claro mesmo para um observador externo, como nós, os clientes.

Ou seja, de um cliente “neutro” tornei-me um “insatisfeito” e, rapidamente, “irritado”, chegando a momentos em que estava prestes a ter um ataque de nervos. Tudo isso por algo que imaginava que seria trivial.
Finalmente, após toda essa saga, tendo de pagar R$ 10,00 por um novo chip e ter ficado 53 horas sem acesso aos serviços, finalmente tive meu celular restabelecido.

Comentei o ocorrido com amigos, e, para minha surpresa, esse tipo de atendimento parece ser o padrão que todos já esperam. Ouvi muitas histórias de horror. Sobre as operadoras de que já havia sido cliente, um amigo me disse que "uma é péssima, a outra é horrível, e a outra te rouba sempre".

Como é possível, após tanto tempo, os serviços terem esses péssimos níveis de qualidade?
As operadoras de telefonia celular são, há muito, as campeãs nacionais de reclamações dos usuários no Procon. Em 2015, foram responsáveis por 13,4% do total de reclamações.

Esses serviços são de autorização pública, e há uma entidade que regulamenta isso, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que tem como missão ”promover o desenvolvimento das telecomunicações no país de modo a dotá-lo de moderna e eficiente infraestrutura de telecomunicações, capaz de oferecer à sociedade serviços adequados, diversificados e a preços justos”.

Para evitar que a pouca concorrência existente no setor prejudique os usuários, deveria haver um acompanhamento e um controle mais rigoroso das empresas para proteger os interesses dos consumidores.

Em 2012, tendo em vista a já então substancial insatisfação dos clientes, a Anatel passou a fazer um acompanhamento do nível de serviços, definiu metas de qualidade, chegou a ameaçar com multas e chegou até a suspender momentaneamente a oferta de serviços a novos clientes para algumas operadoras.

Apesar desses esforços todos, o nível de reclamações por assinante em 2015 quase triplicou para as quatro principais operadoras do país! Isso sem contar o possível alto nível de “subnotificações”. Por exemplo eu mesmo, que, apesar de profundamente insatisfeito, não cheguei a fazer uma reclamação formal.

Uma maior concorrência, em última instância, vai permitir melhores serviços. Mas, enquanto isso não acontece, as operadoras navegam suavemente, crescendo e lucrando, enquanto nós, usuários, ficamos profundamente irritados e descontentes.

Com os esforços e as iniciativas existentes atualmente, a atuação da agência reguladora não consegue oferecer o nível de serviços com a qualidade e os preços justos prometidos.


José Roberto Ferro é presidente do Lean Institute Brasil





Matéria retirada do site:

11 tecnologias extraordinárias cujas inventoras que talvez você não conheça

BBC BRASIL.com

8 MAR2016

13h54


Se você olhar ao seu redor, com certeza as encontrará. São invenções que revolucionaram o mundo. Em alguns casos, salvaram vidas. Em outros, simplesmente as melhorou.

Foto: BBC / BBCBrasil.com

No Dia Internacional da Mulher, apresentamos 11 inventos ou tecnologias desenvolvidos por elas.


1. Teste de urina para monitorar diabetes

Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBCBrasil.com

O trabalho no campo da química realizado pela cientista americana Helen Free, de 93 anos, revolucionou os exames para diagnosticar doenças e detectar gravidez.

Free desenvolveu, junto com seu marido, Alfred, as tiras que são usadas em todo o mundo para monitorar a diabetes ao revelar a presença de glucose na urina no paciente.

Dotadas de substâncias químicas, essas tiras de alguns milímetros de largura apresentam uma reação ao entrar em contato com compostos presentes na urina.

Nascida em 1923, a pesquisadora lançou seu invento no mercado com o nome de Clinistix, uma tecnologia que representou um grande avanço em testes rápidos e eficazes não só de urina, como também de sangue.


2. Medicamento contra leucemia

Foto: SPL / BBCBrasil.com

Segundo o Salão da Fama dos Inventores dos Estados Unidos, a americana Gertrude B. Ellion (1918-1999), nascida em uma família de imigrantes lituanos, inventou o medicamento contra leucemia conhecido como 6-mercaptopurina e inovações farmacêuticas que facilitaram o transplante de rim.

Suas pesquisas também levaram ao desenvolvimento de outro fármaco, a 6-tioguanina.

"A expansão de sua pesquisa a conduziu ao Imuran, um derivado da 6-mercatopurina que impedia a rejeição pelo corpo de tecidos externos. Usado com outros medicamentos, o Imuran permitiu os transplantes renais entre pessoas que não eram parentes", destaca o Salão da Fama de Inventores.

Ellion também liderou a equipe que desenvolveu medicamentos para tratar gota e um antiviral para combater infecções causadas pelo vírus da herpes.

Em 1988, o prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina foi concedido a ela, James W. Black e George H. Hitchings "por suas descobertas sobre princípios-chave de tratamentos a base de medicamentos".

"Por casualidade, conheci um químico que buscava um assistente de laboratório. Ainda que não pudesse me pagar um salário nesta época, decidi que a experiência valia a pena", disse a cientista em um texto autobiográfico publicado no site do prêmio Nobel.

"Fiquei ali um ano e meio, e finalmente passei a ganhar o incrível montante de US$ 20 (em valores atuais, US$ 338, ou R$ 1278) por semana. Já havia economizado um pouco de dinheiro e, com a ajuda de meus pais, entrei na escola de pós-graduação da Universidade de Nova York no outono de 1939. Era a única mulher na classe de química, mas ninguém parecia se importar."


3. Método para melhorar negativos fotográficos

Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBCBrasil.com

Em 1978, a Associação para o Avanço de Invenções e Inovações dos Estados Unidos elegeu a química Barbara S. Askins, hoje com 77 anos, como a inventora do ano por ter criado um processo para recuperar os detalhes de negativos que haviam sido subexpostos.

No mesmo ano, a pesquisadora patenteou sua invenção, que permitia melhorar fotografias usando materiais radioativos.

A Nasa a havia contratado em 1975 para encontrar uma forma melhor de revelar fotos astronômicas e geológicas feitas a partir do espaço e obter imagens em que os detalhes pudessem ser vistos com clareza em vez de borradas ou com pouca definição.

Sem sua tecnologia, diz a Nasa em seu site oficial, estas imagens seriam inúteis. Seu invento foi "tão bem sucedido que seu uso se expandiu para além da agência espacial e foi aproveitado na obtenção de melhorias em raios-X e na restauração de fotos antigas".


4. 'Calculadora gráfica' para resolver problemas de transmissão de energia

Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBCBrasil.com

Edith Clarke (1883- 1959) é considerada uma pioneira da engenharia elétrica e da computação. Ela foi a primeira engenheira elétrica a ser empregada profissionalmente nos Estados Unidos e a primeira professora em tempo integral desta área no país.

"Inventou uma calculadora gráfica que simplificou para determinar as características elétricas de longas linhas de transmissão de eletricidade", indica o Salão da Fama de Inventores dos Estados Unidos.

Clarke foi uma autoridade na manipulação de funções hiperbólicas, circuitos equivalentes, análise gráfica e sistemas elétricos. A cientista patenteou a calculadora Clarke em 1925.

"Sua carreira teve com tema central o desenvolvimento e a disseminação de métodos matemáticos que simplificaram e reduziram o tempo empregado em cálculos complicados para resolver problemas de design e operação de sistemas de energia elétrica", explica James E. Brittain no ensaio Do Computador à Engenharia Elétrica: a extraordinária carreira de Edith Clarke .

"Ela traduziu o que muitos engenheiros viam como métodos matemáticos esotéricos em gráficos ou em formas mais simples, em uma época em que os sistemas de energia se tornavam mais complexos."


5. Vidro sem reflexo

Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBCBrasil.com

As pesquisas de Katharine Blodgett (1898-1979) e Irving Langmuir criaram uma nova disciplina científica ao experimentarem com películas orgânicas com uma só molécula de espessura que tiveram aplicações práticas em campos tão variados como a conversão de energia solar e a fabricação de circuitos integrados.

"Como assistente de Langmuir na General Electric, Blodgett deu prosseguimento à descoberta de Langmuir, que consistia em uma capa única de superfície de água que podia ser transferida para um substrato sólido. Anos depois, ela verificou que o processo podia ser repetido para criar uma pilha de capas múltiplas de qualquer espessura", explica o Salão da Fama dos Inventores dos Estados Unidos.

Primeira mulher a obter um PhD em Física na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Blodgett aprofundou seu trabalho e criou revestimentos antirrefletores para superfícies de vidro. Isso fez com que produzisse, como destaca o Salão, o primeiro vidro "verdadeiramente invisível".

Sua invenção, conhecida como filme Langmuir-Blodgett, foi patenteada nos Estados Unidos em 1940. "O vidro sem reflexo eliminou a distorção de luz que existia em vários equipamentos ópticos, incluindo lentes de sol, telescópios, microscópios, câmeras e projetores."


6. Peneiras moleculares para refino de petróleo

Não há como falar de Edith Flanigen sem mencionar a descoberta de formas mais eficientes, limpas e seguras de refinar petróleo. De fato, seu invento foi uma peça-chave na produção de gasolina em todo o mundo.

Em 1956, a química americana "começou a trabalhar na tecnologia emergente de peneiras moleculares, estruturas cristalinas microporosas", explica o Salão da Fama de Inventores dos Estados Unidos.

"Esses compostos podem ser usados para purificar e separar misturas complexas e catalisar ou acelerar o ritmo das reações dos hidrocarbonetos e têm uma ampla aplicação no refinamento de petróleo e nas indústrias petroquímicas."

Em 2004, o Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em inglês) conferiu a ela o prêmio Lemelson-MIT pelos efeitos revolucionários desta tecnologia.

Flanigen liderou uma equipe de inventores que descobriu "mais de uma dezena de estruturas de peneiras moleculares e 200 composições, muitas das quais foram comercializadas no refinamento de petróleo e nos processos petroquímicos para reduzir os custos de energia e o desperdício industrial", destacou o MIT.

Aos 87 anos, Flaningen detém hoje 108 patentes nos Estados Unidos, e, entre suas pesquisas foram aplicadas na purificação de água e no saneamento ambiental.


7. Máquina para fazer sacolas de papel

Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBCBrasil.com

Dona de 26 patentes, concedidas entre 1870 e 1915, a americana Margaret Knight (1838-1914) entrou para a história por ter inventado uma máquina para fabricar sacolas de papel de fundo plano.

"A invenção revolucionou a indústria de sacolas de papel ao substituir o trabalho de 30 pessoas pelo de uma única máquina", diz o Salão da Fama dos Inventores dos Estados Unidos.

De forma automática, a máquina cortava o papel, o dobrava e unia suas partes para criar a sacola. "Antes de sua invenção, as sacolas de fundo plano só podiam ser feitas manualmente e com um alto custo."

Seu invento foi usado em todo o mundo e permitiu a produção em massa desse tipo de sacola. Uma variação de sua máquina ainda era usada no fim do século 20.


8. Fralda descartável

Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBCBrasil.com

Em 1951, foi concedida à arquiteta americana Marion Donovan (1917-1998) a patente de uma cobertura impermeável para fraldas, o que fez com que ficasse reconhecida mundialmente como a "mãe das fraldas descartáveis".

Quando ela faleceu, o jornal The New York Times escreveu em seu obituário: "Tinha 81 anos e havia ajudado a encabeçar uma revolução industrial e doméstica ao inventar o precursor da fralda descartável".

"Motivada pela tarefa frustrante e repetitiva de trocar as fraldas de pano sujas, a roupa e os lençóis de seu filho, Donovan criar uma capa para a fralda que permitia manter seu bebê seco", conta o Salão da Fama de Inventores dos Estados Unidos.

"Diferentemente de outros produtos no mercado, o seu foi feito com uma tela que permitia que a pele do bebê respirasse e também incluía botões em vez de alfinetes."

Donovan batizou seu invento como "Boater", mas, num primeiro momento, ele foi recusado por fabricantes. Por essa razão, ela começou a comercializar a capa por conta própria e, após receber a patente, a vendeu para uma companhia por US$ 1 milhão em valores da época.

Anos depois, o engenheiro industrial Victor Mills, da Procter & Gamble, lideraria a equipe que fez a primeira fralda descartável como a conhecemos hoje.


9. Sinalizadores marítimos

Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBCBrasil.com

"Em uma época em que as mulheres pareciam não fazer nada além de arrumar a casa e criar os filhos, Martha Coston estava ocupada salvando vidas ao aperfeiçoar os sinalizadores marítimos noturnos", destaca o livroAs Invenções de Martha Coston , de Holly Cefrey.

Coston (1826-1904) desenvolveu um sistema de luzes pirotécnicas vermelhas, brancas e verdes com base em esboços deixados por seu marido antes de ele morrer, para que os barcos pudessem se comunicar entre si e com o pessoal em terra em meio à escuridão e a grandes distâncias.

Ela passou dez anos desenvolvendo a tecnologia antes de patenteá-la e a vendeu para a Marinha americana. "O sistema deu uma vantagem decisiva à União na Guerra Civil e a empresa Coston, fundada para produzir os sinalizadores, operou até o fim do século 20", explica o Salão da Fama de Inventores dos Estados Unidos.

"O sistema de códigos e sinalização foi usado pelo serviço de emergência e o serviço meteorológico dos Estados Unidos, instituições militares na Inglaterra, França, Holanda, Itália, Áustria, Dinamarca e Brasil, navios mercantes e iates privados."


10. Limpador de para-brisa

Foto: Divulgação/BBC Brasil / BBCBrasil.com

Mary Anderson (1866-1953) teve a ideia de criar o limpador de para-brisa quando viajava em um bonde por Nova York em um dia de neve no início do século 20.

"Anderson observou que os condutores tinham que abrir frequentemente suas janelas para poder enxergar em meio ao clima impiedoso. Muitas vezes, eles tinham de parar o bonde e descer do carro para limpar a janela", conta o Salão da Fama de Inventores dos Estados Unidos.

"Sua ideia consistia em uma alavanca dentro do veículo que controlava um braço mecânico equipado com uma escova de borracha. A alavanca movia a escova pelo para-brisa para eliminar a chuva ou a neve."

Segundo o Salão, com a patente concedida em 1903, a invenção tornou-se o primeiro dispositivo eficaz de limpeza do para-brisa.


11. A superfibra Kevlar

Stephanie Kwolek (1923-2014) foi uma química americana de origem polonesa que, em 1965, descobriu uma variedade incrível de polímeros cristalinos líquidos.

Dona de 17 patentes, a cientista "se especializou em processos a baixas temperaturas para a criação de longas cadeias moleculares, o que a conduziu à descoberta de fibras sintéticas a base de petróleo de grande rigidez e resistência", indica o Salão da Fama de Inventores dos Estados Unidos.

A fibra mais famosa resultante dessas pesquisas foi a Kevlar, um polímero cinco vezes mais forte que o aço. Trata-se de um tecido de alta resistência que é usado para fabricar centenas de produtos, como coletes à prova de balas, cabos de fibra ótica, peças de avião e cascos de navio.

"Sabia que tinha feito uma descoberta", disse Kwolek em uma entrevista. "Não gritei 'eureka', mas fiquei muito emocionada, assim como todos no laboratório, por estarmos diante de algo novo e diferente."

Além de salvar vidas, o poderoso tecido gera centenas de milhares de dólares por ano em vendas de produtos derivados em todo o mundo.





Matéria retirada do site:

domingo, 6 de março de 2016

Missão Profetah - Profetah









Os caras são muito bons!!! Rock and Roll Cristão na veia e Jesus no coração!!!

Igreja no Paquistão inicia processo para declarar mártir líder assassinado por talibãs

Por Maria Ximena Rondón


ROMA, 03 Mar. 16 / 01:00 pm (ACI).- Os católicos do Paquistão poderiam ter um novo mártir. Seu nome é Shahbaz Bhatti, ministro católico para as minorias religiosas, assassinado no dia 2 de março de 2011, em Islamabad, por um grupo de talibãs, devido a sua oposição à lei de blasfêmia. Por ocasião do quinto aniversário da sua morte, a Igreja local começará a recolher testemunhos para abrir a fase diocesana e declará-lo mártir.

No último dia 1º de março, o Bispo de Islamabad, Dom Anthony Rufin, celebrou uma Missa em sua honra na Catedral. Além disso, ontem se realizou um evento comemorativo organizado por seu irmão e também líder católico Paul Bhatti, do qual participaram vários bispos, líderes muçulmanos e representantes civis de todo o país.

Shahbaz Bhatti foi um líder católico que lutou pela liberdade religiosa e pela paz no Paquistão. Declarou-se contra a lei da blasfêmia, a qual castiga, inclusive com a pena de morte, quem ofende o Corão ou Maomé, e que é empregada contra os cristãos e outras minorias religiosas. Seu trabalho provocou o ódio dos extremistas muçulmanos que planejaram matá-lo.

Em 2009, Bhatti foi ameaçado por ter defendido Asia Bibi, uma cristã falsamente acusada de blasfêmia.

Como Bhatti era consciente de que poderia ser assassinado por causa de sua fé, gravou esta mensagem em um vídeo:

“Quero compartilhar que eu acredito em Jesus Cristo, que deu sua vida por nós. Sei qual é o significado da ‘cruz’ e o seguirei até a cruz. Rezem por mim e pela minha vida”.

Antes do seu assassinato Bhatti disse à agência Fides: “Sou um homem que queimou suas pontes. Não posso e não voltarei atrás nesta missão. Lutarei contra o fanatismo até a morte para defender os cristãos”.

No dia 2 de março de 2011, quando o ministro de 42 anos saía de sua casa em automóvel rumo ao seu escritório, três talibãs mascarados colocaram seu veículo perto do dele. Descenderam e dispararam durante dois minutos. Os assassinos deixaram na cena do crime alguns panfletos nos quais descreviam o ministro como um “cristão infiel” e que havia sido assinado por “Talibã Al-Qaeda Punjab”.





Matéria retirada do site:

Padre é ameaçado por acolher famílias expulsas de casa por milicianos


Padre Pedro Stepien / Foto: Facebook


BRASILIA, 04 Mar. 16 / 01:30 pm (ACI).- Padre Pedro Stepien é um sacerdote polonês que há 14 anos vive no Brasil, diretor da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e que vem passando nos últimos meses por ameaças de milicianos do Rio de Janeiro por ter acolhido em Brasília seis famílias que foram expulsas de suas casas pela milícia. Mas, apesar de tudo, garante que não cederá às intimidações.

“Se eu abandono essas pessoas, traio Jesus Cristo, traio minha família, minha formação católica”, expressa o sacerdote.

As ameaças foram recebidas por meio de mensagens no WhatsApp e dizem respeito à segurança do próprio padre e das famílias, bem como sugerem risco de morte para ambos.

Em entrevista à ACI Digital, Pe. Stepien conta que, há um ano, conheceu por acaso nos corredores do Senado uma das famílias que foi expulsa por milicianos da chamada Liga da Justiça de um condomínio do programa do governo “Minha Casa, Minha Vida”, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Eles buscavam ajuda de parlamentares, o que não conseguiram.

O sacerdote, então, decidiu ajudar essas pessoas e, mais tarde, já estava com seis famílias na mesma situação. Durante cerca de seis meses, ficaram na casa do padre e depois com outros cristãos da região do Distrito Federal.

Até que começaram a chegar as ameaças e Pe. Stepein diz que teve que enviar as famílias para outros lugares. “Tive que mandá-las para três estados, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo, para afastá-las do perigo. Agora, não sei onde estão, só temos contato por telefone. Elas mudam de local a cada 15 ou 20 dias”, revela.

A primeira ameaça dos milicianos foi recebida pelo padre no dia 24 de janeiro, a qual dizia: “Leia com bastante atenção, temos seu telefone celular, seu telefone de casa, zap [sic] do Roberto, telefone da Rosana e Carla grampeados. Nós lemos e ouvimos tudo o que vocês estão falando, estamos de olho em sua casa e desta vez viemos em mais soldados”.

Os milicianos ainda garantem que não serão presos. “Queremos apenas levar conosco Roberto e família, Rosana e Djanira e vamos levar. Sabemos que estão perto de sua Igreja. Roberto é muito inteligente, mas vai falhar. Estamos, a partir de agora, vigiando tudo”, afirmam.

Pedem, então, que o Padre informe como chegar nas casas onde as famílias estão e, com isso, dizem que “tudo termina rápido”. “Não subestime nossa inteligência. Polícia não vai adiantar, pois estamos de olho em tudo. Aguardo sua resposta e que ela seja positiva. Caso seja negativa, tomaremos outras providências”, acrescentam.

Por fim, os milicianos garantem: “Deputados e senadores nos devem muitos favores, então, não perca o seu e o nosso tempo”.

Com essas intimidações na chamada Liga da Justiça, Pe. Stepien disse que achou “conveniente colocar nas redes sociais”. Assim, após a Missa de Quarta-feira de Cinzas, em 10 de fevereiro, gravou um vídeo e colocou em seu Facebook.


No vídeo, após ler a mensagem recebida, o sacerdote garante: “Tudo o que falam é verdade, pois não encontrei nenhum apoio dos deputados e senadores”.

“Só quero entregar essas famílias nas mãos dos órgãos competentes”, afirma o padre à ACI, reforçando que deseja entregar as famílias ao ministro das Cidades, Gilberto Kassab, para que as ajude.

Segundo o sacerdote polonês, “essas famílias estão vagando por aí”. “Uma criança até nasceu praticamente na rua. É tão triste. Um verdadeiro descaso do poder público”, acrescenta.

Após a publicação do vídeo na internet Padre Pedro Stepien voltou a receber nova mensagem dos milicianos, que dizem ter visto a filmagem e declaram: “queremos informar que a direção da firma está muito triste com o senhor. Só pedimos que o senhor nos informasse a localização das casas de Roberto, Rosana e Djanira e o senhor não colabora”.

As ameaças reafirmam ainda que não adianta o sacerdote buscar ajuda da polícia ou de políticos. Eles destacam que são muitos, “com muita influência, política temos filiados em todos os níveis de governo, então, senhor padre, deixe que as coisas aconteçam naturalmente”.

“Queremos e vamos assassinar Roberto e família, Rosana, Djanira e Márcio, eles servirão de exemplo para que outros nunca mais duvidem da Liga da Justiça”, diz o texto.

Os milicianos ainda indicaram que conhecem a rotina do sacerdote, enviando fotos de locais próximos à sua casa e Paróquia. Além disso, no dia 25 de fevereiro, quando estava saindo do Congresso Nacional, Pe. Stepien recebeu outra mensagem reforçando a afirmação de que “não adianta procurar deputados e sanadores”.

Diante de tais ameaças, o padre polonês registrou um Boletim de Ocorrência e agora diz que é acompanhado por alguns policiais. “Mas – ressalta –, tenho a milícia celeste que me protege, faz bem. Onde acaba o limite do homem, Deus começa a agir. Sou Padre e confio em Deus”.

Entretanto, o sacerdote não esconde sua decepção com a posição das autoridades frente a este caso.

“Eu vim da Europa para trabalhar, celebrar Missas, atender confissões, ajudar as pessoas, visitar os doentes. Mas, agora, em uma situação como essa, procuro as autoridades, os Direitos Humanos e não me dão nem resposta sobre a audiência pública que desmarcaram”, assinala.

No vídeo que divulgou nas redes, o padre ainda conta que entrou com um pedido de audiência com o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, no dia 1º de dezembro, mas até hoje não obteve resposta.

“O povo brasileiro – completa – é explorado, é um povo que tem que sair nas ruas para reivindicar. Essas famílias compraram suas casas, pagaram por tudo e foram expulsas”.

Por fim, Padre Pedro Stepien conclui com uma frase que costuma diante dessa realidade: “Eu prefiro morrer com a verdade do que viver com mentira” e pede “que Deus me dê força para seguir adiante como padre”.





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Venezuela: Invasores de terras atentam contra a segurança de centro agrícola salesiano




CARACAS, 05 Mar. 16 / 12:00 pm (ACI).- No estado de Barinas (Venezuela), a Comunidade Salesiana encarregada da Escola Técnica Agrônoma “São José” denunciou que cerca de 15 hectares foram ocupados por invasores na semana passada.

Como informou a agência vaticana Fides, os invasores queimaram uma caminhonete da instituição perto dos depósitos de gás, colocando em risco a segurança dos estudantes e dos salesianos que ali residem.

“Quando quisemos apagar o fogo, vimos que não saía água já que o quadro elétrico estava queimado, por isso não funcionavam as bombas de água”, disse o Pe. Rafael Montenegro, diretor da instituição.

Acrescentou que o mais grave aconteceu ao amanhecer, “quando se deram conta de que havia uma trilha de combustível de onde estava estacionado o caminhão até onde se encontram os bujões de gás, a cinco metros de distância, e por cima dos bujões havia trapos molhados com diesel”.


“Foi um milagre que o fogo não chegasse ali”, disse o sacerdote.

Sabe-se também que o diretor do centro agrícola foi à Circunscrição Judicial local para solicitar uma medida de proteção para seus alunos.

“Conforme o estabelecido no artigo 322 da Lei Orgânica para a Proteção das Crianças e dos Adolescentes, solicitamos se tome a medida de desalojamento do grupo de pessoas que se encontram perturbando e violentando os direitos antes mencionados, para assim proteger as instalações desta instituição, já que existe o temor iminente de que aumentem as agressões e fiquem em risco a vida dos adolescentes que permanecem internos”, diz parte do documento difundido pela imprensa.

Ante a difícil situação que vive constantemente esta comunidade salesiana, a Diocese de Barinas mostrou seu apoio e se pronunciou em um comunicado exortando as autoridades a devolver “a paz para uma instituição com qualidade educativa, na qual se formaram mais de dois mil técnicos que trabalham para produzir bem-estar para a família venezuelana”.

Deste modo, pediram a toda a coletividade católica do estado e ao povo em geral para “estar vigilantes ante estes atropelos ilegais” e “exigir o respeito e o resguardo dos espaços e infraestrutura desta instituição”.

A “Escola Técnica Agrônoma Salesiana São José” funciona há 32 anos em Barinas, a 500 km de Caracas.

Segundo a agência Fides, esta instituição conta “com grande estima entre a população e com um reconhecido trabalho educativo entre seus alunos, muitos deles sem recursos e procedentes de zonas rurais afastadas”.

Assinala também que a ocupação dos terrenos é obra de invasores de terras e que “nos últimos meses ocorreram diferentes incidentes e a cerca do centro foi demolida pelos ocupantes, que inclusive chegaram a queimar parte dos cultivos de milho, muito valiosos na região, pondo em risco a produção anual”.






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Papa sobre o Filho Pródigo: nossos erros nunca prejudicam o amor de Deus por nós

Por Alvaro de Juana



O Papa durante o Ângelus . Foto: L’Osservatore Romano


Vaticano, 06 Mar. 16 / 09:20 am (ACI).- “Como o pai de do Evangelho, Deus também continua a nos considerar seus filhos quando nos perdemos”, disse o Papa Francisco ao explicar nesta manhã a parábola do Filho Pródigo, no Ângelus.

Francisco assinalou que “os erros que cometemos, mesmo se são grandes, não prejudicam a fidelidade de seu amor”. “No Sacramento da Reconciliação, podemos sempre começar de novo: Ele nos acolhe, nos restitui a dignidade de sermos filhos seus”.

“O Evangelho nos apresenta esta última parábola, que tem como protagonista um pai com seus dois filhos. O relato nos faz conhecer algumas atitudes deste pai: é um homem que está sempre pronto a perdoar e que espera, contra qualquer esperança”, explicou Francisco convidando a ler o Evangelho de São Lucas.

“Surpreende, sobretudo, sua tolerância ante a decisão do filho mais novo de ir embora de casa: poderia ter se oposto, sabendo que é imaturo, mas em vez disso o permite ir, mesmo prevendo os possíveis riscos”.

O Papa observou que “é assim que Deus age conosco: nos deixa também livres de errar, porque ao nos criar, nos deu o grande dom da liberdade. Somos nós que devemos saber utilizá-la bem”.

“O desapego deste pai sobre seu filho é apenas físico; o pai o leva sempre no coração; aguarda confiante a sua volta; observa o caminho na esperança de voltar a vê-lo”.

“Um dia, o vê aparecer de longe e se comove, corre ao seu encontro, o abraça, o beija”, recordou o Papa. “Quanta ternura! A mesma atitude tem o pai com o filho mais velho, que sempre permaneceu em casa e agora está indignado e protesta porque não entende e não compartilha toda essa bondade com o irmão que havia errado”.

O Santo Padre indicou que “o pai também sai ao encontro deste filho e o recorda que eles estavam sempre juntos, têm tudo em comum, mas necessita acolher com alegria o irmão que finalmente havia regressado à casa”.

“Quando alguém se sente um pecador, se sente de verdade pouca coisa ou ‘sujo’ é alguém que vai ao Pai, mas quando alguém se sente justo e pensa que sempre faz as coisas bem, também o Pai o busca porque é um mau comportamento, é a soberba, é o diabo. O Pai espera aqueles que se reconhecem pecadores e vai buscar aqueles que se sentem justos. Este é o nosso Pai”.

Além disso, Francisco disse que “há um terceiro filho escondido”. “é o que não considera um privilégio ser como o pai; que se despojou de tudo e assumiu a condição de escravo”.

“Este Filho-Servo é a extensão dos braços e coração do Pai: Ele acolheu o pródigo e lavou seus pés sujos. Ele preparou o banquete para a festa do perdão. Ele, Jesus, nos ensina a ser ‘misericordiosos como o Pai’”.

Francisco afirmou que o coração de Deus é como o deste pai. “Ele é o pai misericordioso que em Jesus nos ama sem limites, espera sempre a nossa conversão cada vez que erramos; aguarda o nosso retorno quando nos afastamos Dele, quando pensamos que podemos viver sem Ele”.

“Neste período de Quaresma que ainda nos divide da Páscoa, somos chamados a intensificar o caminho interior de conversão. Deixemo-nos tocar pelo olhar pleno de amor de nosso Pai e retornemos a Ele com todo o coração, rejeitando todo compromisso com o pecado”.





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Crise pode anular efeito do aumento de imposto

Muitas empresas, já sufocadas pela crise, acabam
sem condições de produzir ou prestar serviços


06/03/2016 - 09H48 - POR ESTADÃO CONTEÚDO

MENOS PESSOAS E EMPRESAS PAGAM IMPOSTO (FOTO: MARIO TAMA/GETTY IMAGES)


A nova leva de impostos vai pressionar a carga tributária do país em 2016, mas a arrecadação final pode cair, avaliam especialistas, frustrando planos de engordar os cofres públicos. Isso porque muitas empresas, já sufocadas pela crise, acabam sem condições de produzir ou prestar serviços. Como resultado, a chamada base tributável diminui, ou seja, menos pessoas e empresas pagam imposto.

"O governo quer elevar a carga tributária, mas isso pode ser um tiro no pé. Uma coisa é fazer isso com a economia a pleno vapor. Outra é quando se está em franca decadência", avalia o economista Guilherme Mercês, gerente de Ambiente de Negócios e Infraestrutura do Sistema Firjan. "O que o governo pode colher no fim das contas é uma queda na arrecadação."

Tathiane Piscitelli, professora de Direito Tributário da FGV-SP, também prevê que o "impostaço" pode ter um efeito reverso. "Existe um limite de até onde você pode tirar do particular. Com o cenário de desaceleração econômica, queda nas vendas e na renda, apertar ainda mais pode ter o efeito contrário."

O consultor econômico Raul Velloso, especialista em contas públicas, acredita que o aumento generalizado nos tributos é um "ato de desespero". "Não há garantia nenhuma de que esse aumento de alíquota vai trazer aumento na arrecadação", diz.

Já Ordélio Azevedo Sette, da Azevedo Sette Advogados, diz que a carga tributária, hoje em torno de 34% do PIB, pode estourar os 40% ao fim do ano. "Teremos um crescimento real da arrecadação mesmo com a queda do PIB", diz. "O efeito é sempre o de agravar a situação do contribuinte."

Em meio ao debate sobre o sucesso das medidas, economistas veem a oportunidade de reformar o sistema tributário brasileiro ir pelo ralo diante da paralisia no âmbito político. "Qualquer reforma tributária no País demanda uma maturidade político-institucional que ainda não temos", diz Felipe Renault, professor do Ibmec/RJ.

A unificação das alíquotas do ICMS e a junção de tributos em um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) seria um grande passo, diz Renault. O modelo já é empregado em países da Europa e nos Estados Unidos. O problema está na desconfiança dos governos em relação aos demais.

"Há um clima de tensão inegável entre Estados, que claramente não confiam no governo federal para unificar os impostos", diz. Por outro lado, os resultados do Simples Nacional dão esperanças de que a reforma pode um dia sair do papel.

Outra alternativa seria tornar a tributação mais igualitária entre os setores. Hoje, a indústria de transformação tem uma carga tributária superior a 45%, segundo cálculos da Firjan. Já a agropecuária e a indústria extrativa são cobradas em menos de 6%, enquanto a carga sobre os serviços é menor que 18%.

"Obviamente poderia ter arrecadação maior com redistribuição da carga tributária. É uma boa hora para rever essa base, que é de 50 anos atrás", diz Mercês."O governo quer elevar a carga tributária, mas isso pode ser um tiro no pé."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo





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MEI: Governo não baixa inadimplência e desconhece quantidade de "inativos"

Por Luis Philipe Souza - iG São Paulo | 06/03/2016 06:00


Secretaria responsável não sabe quantos dos 5,6 milhões de MEIs não exercem atividades; 55,5% não pagam impostos


Desde 2009, o brasileiro que trabalha por conta própria tem a opção de se formalizar como Microeemprededor Individual (MEI). O modelo permite que o profissional se formalize, emita notas pelo serviço prestado e saia da informalidade com uma taxa de contribuição mínima, por meio do pagamento mensal da guia DAS-MEI. Apesar disso, o programa tem altos índices de inadimplência, atingindo cerca de 70% em alguns Estados.

Além disso, a taxa de “inativos” – aqueles que não contribuem e continuam com registros ainda ativos – é desconhecida pelo governo. Sob a responsabilidade da atual Secretaria Especial da Micro e Pequena Empresa (SEMPE), o MEI tem 5.680.614 de cadastros e uma média de apenas cinco mensalidades do DAS-MEI pagas anualmente por cada contribuinte.



O MEI (sigla para Microempreendedor Individual) é a pessoa que trabalha por conta própria e que legaliza o seu negócio, tornando-se um pequeno empresário . Foto: iStock


Os dados foram fechados em dezembro do ano passado, passados pela Receita Federal, que informou não ter controle sobre os cadastros inadimplentes há mais de 12 meses. OiG tentou contato com a SEMPE para que fosse explicada a aparente falta de organização do programa, mas não obteve retorno. Lembrando que o MEI inadimplente perde o direito a benefícios como salário-maternidade, auxílio-doença, aposentadoria por idade, pensão e auxilio reclusão.

Sem uma posição do responsável pelo órgão, o secretário Carlos Leony, a demanda foi redirecionada e respondida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), empresa da iniciativa privada que auxilia na gestão do MEI. A analista do setor de políticas públicas da entidade, Helena Rego, confirmou que o controle ainda não existe. “O que existe é uma previsão legal, até para se fazer uma baixa dos MEIs omisso, mas ainda precisa ser regulamentado pelo Comitê Gestor da RedeSim [composto por orgãos e entidades do governo federal, estadual e municipal e que atua no registro de empresas]”, ponderou.

Ainda sobre inadimplência do MEI, com média nacional de 54,9% em 2014 e de 55,51% no ano passado, a analista a justificou pelo fato de o programa ser recente – completando sete anos em 2016. “São pessoas que estavam na informalidade há muitos anos (...) para quem vinha há dez, 20 anos [na informalidade], é uma coisa recente e também uma questão de [falta] da cultura de pagar impostos”, explicou. “A tentativa é no sentido de trazer o MEI para dentro do Sebrae, para que ele faça os cursos e também lembrá-lo da importância de pagar o boleto e fazer a declaração anual, que também é necessária”.

Embora seja dito pelo governo que o MEI não tem objetivos de arrecadação – e sim desonerar o microempreendedor e garantir direitos sociais – o pagamento de pouco mais de 29 milhões do total de cerca de 68 milhões gerou receita de aproximadamente R$ 1,3 bilhão. Caso não houvesse inadimplência do DAS-MEI, por exemplo, seriam recolhidos R$ 3,1 bilhões – ou seja, R$ 1,8 bihão a mais.

Tentativa frustrada na entrega dos boletos

No início de 2014 a então Secretaria da Micro e Pequena Empresa (SMPE), ainda sobre o comando do ministro Guilherme Afif Domingos (atual presidente do Sebrae), começou a entregar no endereço dos MEIs a guia DAS-MEI. Até então, o boleto era gerado exclusivamente pela internet, e a intenção era reduzir a inadimplência. O custeio das impressões e entregas foi dividido entre o órgão e o Sebrae, mas não deu certo.

À época, o então secretário-executivo da Secretaria da Micro e Pequena Empresa (SMPE), José Constantino de Bastos Júnior, disse que seriam discutidas novas políticas – incluindo a entrega da guia – e feitas diversas ações para monitorar, excluir inativos e até talvez perdoar as dívidas de inadimplentes. De maneira prática para 2016 o que ocorreu foi a volta da emissão exclusiva pela internet, mudança que não deve gerar mais ruídos de informação com o contribuinte, segundo o Sebrae. “A comunicação houve: via SMS, via rádio e via jornais de grande circulação. Na verdade, temos que esperar para ver o que vai acontecer. Mas seguimos focados em educar o público”, disse a analista, acrescentando que medidas para simplificar o pagamento estão sendo levadas ao governo.





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Freelancer: um estilo de vida


AUTÔNOMOS
Freelancer: um estilo de vida

Sem carteira assinada, profissionais conseguem se manter com freelas trabalhando com o que gostam



Aubrey Monteiro diz não se imaginar com um trabalho formal


Rafael Sete se sente realizado atuando como ilustrador freelancer


PUBLICADO EM 06/03/16 - 03h00

RENATA ABRITTA


Trabalhar exclusivamente com o que dá prazer é o sonho de muita gente, mas poucos têm a coragem e a disposição necessárias para abandonar um emprego fixo e construir sua própria carreira como freelancer. Trocar o certo pelo instável tem seu preço, mas muitos que fizeram essa opção acreditam que valeu a pena.

É o caso do ilustrador Rafael Sete, 29, que há 15 anos faz trabalhos de forma autônoma. Nos primeiros anos, ele conciliava seus serviços particulares com um trabalho de carteira assinada. Em 2014, resolveu arriscar e trabalhar exclusivamente como freelancer. “Trabalho com o que mais amo fazer. Foi conhecendo alguns profissionais da área que percebi que o trabalho freelancer era o modelo que mais me atraía, pela sua natureza autônoma e alternativa. Então, em longo prazo, tracei um plano para chegar neste ponto e tenho confirmado, a cada dia, que essa foi a escolha certa”, afirma.

Mas se engana quem pensa que a rotina dele é tranquila. “Eu trabalho em um estúdio na minha casa, em média, 12 horas por dia, de segunda a sexta. Aos fins de semana, reduzo um pouco a carga horária”, diz. “Para mim, é muito prazeroso poder organizar o meu próprio local de trabalho, não necessitar enfrentar diariamente o trânsito e ter meus horários flexíveis. Isso me proporcionou mais qualidade de vida e melhor saúde. O trabalho freelancer é mais que uma profissão, é um estilo de vida. Acredito que as vantagens e as desvantagens variam pelo ponto de vista de cada um”, ressalta.

E variam mesmo. Se para Sete o trabalho em casa é mais prazeroso, para a produtora executiva de eventos corporativos, Audrey Monteiro, 43, estar cada dia em um local diferente é o ideal. Ela, que trabalha como freelancer desde 2007, vive na estrada produzindo eventos em diferentes cidades e estados. “Meu trabalho é dinâmico, agitado, sem paradas. Estresse e satisfação se misturam com facilidade”.

Ela destaca que a maior parte dos empregos fixos não a atraem. “Não sei se me acostumaria com uma vida corporativa normal. São muitos dias por ano em um escritório com as mesmas pessoas e o mesmo tipo de trabalho. Gosto de conhecer gente nova o tempo todo, de diversos segmentos. Além disso, ganho mais com freela do que com os fixos”, frisa Audrey.


Complemento

A possibilidade de ter um salário maior no fim do mês também é um atrativo para a microempresária Ana Cristina Vieira, 35. “Tenho um brechó, mas ainda não tenho retorno financeiro suficiente, então faço freelas para complementar a renda. Desde os 18 anos, faço recepção de eventos, divulgação, figuração etc. Gosto deste trabalho, pois tem uma gama de funções. Se tiver vários no mês, dá para tirar um dinheiro maior do que ganharia em um emprego”, diz.


Instabilidade

Apesar dos vários atrativos, fazer planos em longo prazo é uma dificuldade para os freelancers. “Não posso gozar férias, encontro dificuldades em conciliar o tempo do serviço com o lazer, e a projeção financeira é sempre instável, pois não há regularidade na entrada de serviços”, comenta Sete.

Audrey também destaca como pontos negativos a eventual falta de pagamento do contratante e “os empecilhos para entrar em um financiamento por conta do medo da crise e da falta de trabalho”, diz.





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Classes A e B da região perdem 81,6 mil pessoas de 2011 a 2015

Publicado em domingo, 6 de março de 2016 às 07:19

Classes A e B da região perdem 81,6 mil pessoas de 2011 a 2015

Fábio Munhoz 
Do Diário do Grande ABC



Entre 2011 e 2015, o Grande ABC viu as classes de consumo A e B perderem 81.649 pessoas, número equivalente a quase duas vezes a população de Rio Grande da Serra. Isso quer dizer que, a cada dia, 44 indivíduos caíram na pirâmide financeira na região. O aumento do desemprego é uma das principais explicações para a diminuição da renda e, consequentemente, no poder de compra. Os números são da pesquisa socioeconômica do Inpes/USCS (Instituto de Pesquisa da Universidade Municipal de São Caetano), divulgada com exclusividade ao Diário.

A participação dos integrantes da faixa mais elevada de rendimentos – cuja renda média familiar é de R$ 20.272, que era de 5,8% em 2011, caiu para 3,2% no ano passado. Na classe B (rendimento no mês em torno de R$ 7.656 por família), a proporção passou de 49,1% para 48,1%. O coordenador do Inpes, Leandro Prearo, explica que a maior parte das quedas, provavelmente, foi de um nível. Ou seja, de A para B e de B para C, com poucos saltos de A para C ou de C para D, por exemplo.

Prearo chama atenção para o fato de a redução nos salários gerar efeitos em cascata. “O problema é que esse pessoal para de consumir. Portanto, fica mais difícil de a indústria se recuperar”, comenta. Isso porque a queda no consumo diminui a demanda da produção industrial e, portanto, os ganhos do segmento e os empregos gerados. “Temos, no Grande ABC, uma economia fortemente ligada à indústria. Esse setor, que paga os melhores salários, tem registrado número alto de demissões e fechamento de empresas. Provavelmente, está aí o motivo de as classes A e B encolherem.”

Em torno de 23,1% da população das sete cidades (283 mil) trabalha em empresas do ramo, segundo dados da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) do Seade/Dieese. Esse percentual, porém, já foi de 28% (345 mil) cinco anos atrás. O salário pago, entretanto, ainda é o que melhor remunera na região, com R$ 2.596 – a média entre todas as áreas é de R$ 2.170.

CLASSE MÉDIA - A faixa intermediária, por outro lado, cujos ganhos familiares médios são de R$ 2.313 por mês, registrou ingresso de 54.432 pessoas entre 2011 e 2015. A participação da classe C em relação ao total da população das sete cidades passou de 40,8% para 42,8% no período.

Prearo adverte, entretanto, que esse crescimento está longe de ser a chamada ‘nova classe C’, alardeada durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Isso porque o aumento nessa fatia social não se deu pela ascensão dos mais pobres, mas pela queda dos mais abonados.

No intervalo de tempo pesquisado, as classes D e E (que têm rendimento médio familiar de R$ 639 mensais) ganharam 27.216 integrantes e tiveram elevação de 1 ponto percentual (de 4,3% para 5,3%).

O economista Leonel Tinoco Netto, delegado do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo) para o Grande ABC, explica que, nos últimos anos, as classes mais baixas ascenderam por meio de políticas públicas, como subsídios e facilitação do acesso ao crédito. Essas medidas, porém, tiveram de ser interrompidas no último ano em razão do ajuste fiscal, conjunto de ações do governo para tentar diminuir o deficit do País o que, por conseguinte, também teve seu impacto.


Sem dinheiro, consumidores alteram padrão de vida

Carlos Alberto Nascimento, 33 anos, foi demitido no fim do ano passado da Prol Editora Gráfica, em Diadema, onde atuava na produção. Desde que foi dispensado, não viu um centavo sequer entrar na sua conta, já que ainda não recebeu o seguro-desemprego. Isso porque, segundo ele, a empresa, que está em recuperação judicial, ainda não homologou a carteira de trabalho dos ex-funcionários.

Nascimento mora com a mãe em Diadema e, agora, sua vida se resume a ir de casa para a escola e vice-versa. Ele cursa tecnólogo em Radiologia na Capital e já quitou o primeiro semestre graças a uma reserva de dinheiro que possuía. Para o próximo período, entretanto, a solução terá de ser trancar a matrícula caso não consiga se recolocar no mercado de trabalho até lá.

Em casa, a situação é complicada. Com dívidas atrasadas, a solução foi cortar itens supérfluos. Na geladeira, só o necessário para se manter.

Caso semelhante é o de Lourdes Defavari, 57, que trabalhou por 39 anos na Karmann Ghia, em São Bernardo, e foi demitida no ano passado. Assim como Nascimento, não recebeu as verbas rescisórias. “Estou conseguindo me virar porque já sou aposentada. Mesmo assim, tive de reduzir muito o padrão de consumo. Além de diminuir as compras, tive de passar a sair menos de casa para não gastar.”

Hoje, ela recebe 50% do teto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o equivalente a aproximadamente R$ 2.500 – quantia que representa aproximadamente 20% do que ela recebia quando atuava na indústria de autopeças localizada em São Bernardo.

Apesar de ainda manter relativa tranquilidade financeira – embora isso custe usar seu benefício, que antes era poupado –, a situação já começa a preocupar. “Ainda estou conseguindo pagar um plano de saúde, mas não sei até quando”, teme.

O piloto de aviões Thiago Franchini, 27, de São Bernardo, dava aula em uma escola de pilotagem em Jundiaí, no Interior. Foi dispensado no fim de janeiro por falta de demanda. Franchini, que recebia de R$ 30 a R$ 40 por hora de voo, dependendo do equipamento, também teve de se adequar. “Tive de cortar coisas supérfluas, como baladas e restaurantes.” Enquanto não surge emprego fixo, atua, eventualmente, como DJ em festas.


Em 12 meses, empresas do Grande ABC demitiram 42,6 mil

As empresas do Grande ABC eliminaram 42.678 postos formais de trabalho entre fevereiro de 2015 e janeiro deste ano, segundo balanço do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Previdência Social.

Se considerados apenas os dados do primeiro mês de 2016, o saldo entre admissões e demissões ficou em -1.644. Foi a 14ª vez seguida que a região apresentou dados negativos de geração de postos de trabalho.

No acumulado de 12 meses, o setor que mais cortou mão de obra foi a indústria, com 25,3 mil desligamentos (equivalentes a 59,4% do total). A estatística é considerada preocupante por especialistas, já que esse setor é o que paga os melhores salários.

Já a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), feita pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), mostra que o desemprego no Grande ABC cresceu 45,5% em janeiro na comparação com o primeiro mês de 2015. Diferentemente do Caged, esse levantamento aponta também as ocupações sem carteira de trabalho e os registros referentes aos autônomos.

A taxa de desemprego na região (relação entre o número de desocupados e a população economicamente ativa) saltou de 10,4% para 15%, atingindo o percentual mais alto registrado desde 2005.





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Agroindústrias do Paraná buscam trabalhadores de outros continentes

Edição do dia 06/03/2016

06/03/2016 09h35 - Atualizado em 06/03/2016 09h36

Agroindústrias estão importando mão de obra estrangeira.
Brasil se tornou o principal exportador mundial de carne de frango.


Ana Dalla Priado Globo Rural

Para dar conta do aumento expressivo da produção, as agroindústrias do oeste do Paraná estão importando mão de obra de outros continentes. Essa mistura de forças está trazendo ótimos resultados.

O mercado internacional paga bem pelo frango que compra, mas quer produto de qualidade. Por isso, as agroindústrias brasileiras tiveram que investir. Na C. Vale, por exemplo, na etapa de embalagem para exportação, robôs separam os cortes de acordo com as exigências de cada país e montam as caixas que vão para os contêineres.

O abatedouro funciona 24 horas. Três mil funcionários se dividem em três turnos para abater e processar mais de 400 mil frangos por dia – 55% vai para o mercado externo, como explica o gerente industrial Reni Girardi. “Nós temos mais 180 cortes diferentes registrados. Cada cliente tem uma especificação diferente de produto. Então acaba-se registrando muitos produtos para atender a necessidade do cliente.”

No ano passado, o Brasil se tornou o principal exportador mundial de carne de frango. O volume exportado foi recorde histórico, mais de quatro milhões de toneladas. A previsão para esse ano é de mais crescimento ainda, com a abertura de novos mercados. Pra atender a demanda, as agroindústrias tiveram que correr atrás de mão de obra. Não falta trabalho, falta gente. Por isso, a C. Vale abriu suas portas para receber trabalhadores de lugares muito distantes.

Há dois anos, quando decidiu deixar Alagoas, James Souza nem imaginava que hoje estaria tão feliz. Ele acaba de ser promovido a operador de máquinas. Vai ver o salário pular de R$ 1 mil para R$ 1.500, mais do que o dobro do que recebia quando trabalhava como servente de pedreiro em Maceió. “O que a gente vivia lá em Alagoas pra aqui, eu me considero no paraíso.”

Carolina Lopes precisou viajar bem menos que o James para ganhar a vaga de auxiliar no departamento de embalagem, mas teve que cruzar a fronteira pra chegar aqui. Ela é paraguaia. Trocou um emprego de contadora pela chance de crescer no Brasil.

Teve gente que cruzou oceanos pra chegar ao Paraná. São várias etnias, vários idiomas convivendo na cooperativa. Pessoas do Senegal, Mali, Zâmbia, Síria, Paquistão. De continentes, raças, costumes bem diferentes, mas todos com um mesmo sonho: construir um futuro melhor.

Suhail Ahmed era comerciante no Paquistão. Tinha uma loja de CD. Chegou ao Brasil há dois anos. É o faz tudo da fábrica, desde pequenos consertos na rede elétrica até pintura. Está satisfeito com essa oportunidade. Já Mohamed Ossama fugiu de seu país natal, a Síria. Pra escapar da guerra, deixou pra trás, pai, mãe, a mulher, o emprego e a faculdade de administração. Mohamed trabalha como auxiliar de produção avícola e sonha alto: trazer a mulher e cursar engenharia no Brasil.

Hoje, a cooperativa conta com quase cem estrangeiros. E se engana quem pensa que os colegas brasileiros se incomodam com gente de fora ocupando os empregos daqui. “Não, não, de maneira nenhuma, Isso, pra gente que é daqui do Paraná, é até uma coisa boa, pela cultura, pela riqueza de cultura, línguas diferentes. Então, isso a gente aprende, acaba até aprendendo com eles”, diz o coordenador de produção Luiz Carlos Gil.

Pra diminuir as despesas e espantar a solidão, os simpáticos estrangeiros, em geral, moram juntos. Em um bairro de Palotina vivem muitos estrangeiros, especialmente senegaleses, que aos fins de semana, se reúnem em uma casa pra fazer comidas típicas e matar saudade do país natal.

Com a força de trabalho de nossa gente e a determinação de quem cruzou o mundo, a avicultura brasileira segue em busca de sonhos ainda mais ambiciosos. Sonhos como o da alagoana Maria Assunção. Ela conseguiu um emprego na cooperativa e ainda trouxe 17 parentes do Nordeste para trabalhar.





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